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Cattani vê ataque à memória de Raquel

Parlamentar acusa Barranco de ultrapassar limite ao citar feminicídio em debate sobre armas

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) voltou a defender a retirada do nome de sua filha, Raquel Cattani, da sala da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), após um embate público com o deputado Valdir Barranco (PT) durante discussão sobre um projeto relacionado ao uso de emendas parlamentares em clubes de tiro.

O episódio ganhou repercussão porque envolveu a memória de Raquel, produtora rural de Nova Mutum, vítima de feminicídio em julho de 2024. Para Cattani, a fala de Barranco ultrapassou o limite do debate político ao citar o crime que tirou a vida de sua filha em meio à discussão sobre armas.

O atrito ocorreu durante debate sobre uma proposta que permite o uso de emendas parlamentares para custear munições e alvos em clubes de tiro. A medida teria como público mulheres que já possuem posse ou porte legal de arma e buscam treinamento.

Barranco criticou a proposta e relacionou a discussão ao caso de Raquel Cattani. A fala foi interpretada por Cattani como ofensiva e desrespeitosa à memória da filha.

O parlamentar do PL afirmou que o nome de Raquel não poderia ser usado como argumento político, principalmente por se tratar de uma vítima de feminicídio. Cattani classificou o episódio como um ataque à memória da filha e disse que a situação tornou insustentável a manutenção da homenagem dentro da Assembleia.

Após o episódio, Cattani reforçou o pedido para que o nome de Raquel seja retirado da sala da Procuradoria Especial da Mulher. O espaço havia recebido a homenagem como símbolo da luta contra a violência de gênero em Mato Grosso.

Segundo o deputado, a decisão tem caráter de protesto. Ele afirma que a memória da filha foi desrespeitada dentro da própria Casa de Leis, sem uma resposta institucional considerada suficiente por ele.

Cattani também cobrou posicionamento mais firme da Assembleia diante da fala de Barranco. Para o parlamentar, o debate público pode ser duro, mas não deve envolver vítimas de crimes brutais como instrumento de confronto político.

Max Russi tenta evitar retirada da homenagem

O presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), tentou convencer Cattani a reconsiderar o pedido. Russi declarou que não gostaria de assinar a retirada da homenagem e defendeu a permanência do nome de Raquel no espaço da Procuradoria da Mulher.

Para Max, a homenagem representa mais do que uma decisão política. Ela simboliza a memória de uma mulher vítima de feminicídio e fortalece a atuação institucional no enfrentamento à violência contra mulheres em Mato Grosso.

Mesmo com o apelo, Cattani manteve a posição. Ele afirmou reconhecer o gesto do presidente da Assembleia, mas disse que, diante do episódio, a retirada segue sendo a forma encontrada para manifestar sua indignação.

Cattani vê ataque à memória de Raquel

Caso Raquel Cattani teve forte repercussão em MT

Raquel Cattani foi assassinada em julho de 2024 em uma propriedade rural em Nova Mutum. O crime gerou forte comoção em Mato Grosso e ganhou repercussão nacional pela brutalidade e pela tentativa inicial de simular outro tipo de ocorrência.

As investigações apontaram que o feminicídio teria sido planejado pelo ex-marido da vítima e executado pelo ex-cunhado. O caso foi levado ao Tribunal do Júri, resultando em condenações dos envolvidos.

A morte de Raquel passou a ser lembrada como um dos casos mais marcantes de violência contra a mulher em Mato Grosso. Por isso, a utilização do nome dela em debates políticos provoca forte reação da família e de parte da sociedade.

O episódio também trouxe à tona uma discussão sensível: o papel das armas na proteção de mulheres em situação de risco. Cattani defende que mulheres legalmente autorizadas possam ter acesso a treinamento e estrutura para se defender.

Já Barranco critica a tese de que mais armas representem uma solução para a violência doméstica e o feminicídio. Para o parlamentar petista, políticas públicas de proteção, acolhimento e prevenção devem ser priorizadas.

Apesar da divergência política, a citação ao caso de Raquel deslocou o debate para um campo emocional e institucional. A discussão agora envolve não apenas o projeto sobre clubes de tiro, mas também os limites do discurso político dentro da Assembleia Legislativa.

A permanência ou retirada do nome de Raquel Cattani da sala da Procuradoria Especial da Mulher ainda deve gerar novos debates na ALMT. O caso coloca a Assembleia diante de uma decisão delicada: preservar a homenagem como símbolo de enfrentamento ao feminicídio ou atender ao pedido da família, representado por Cattani.

Enquanto isso, o episódio mantém acesa a discussão sobre respeito às vítimas, responsabilidade no discurso público e o uso de tragédias familiares em disputas políticas.

Para Mato Grosso, o caso reforça a necessidade de tratar o feminicídio com seriedade, sem transformar vítimas em instrumentos de embate partidário.

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