O depósito municipal instalado no Jardim Itália, em Nova Mutum, passou a ser alvo de cobrança após moradores relatarem conviver diariamente com poeira, caminhões, máquinas pesadas e a preocupação com a segurança nas ruas da região.
A discussão chegou à Câmara Municipal por meio da Indicação nº 138/2026, apresentada pelo vereador Rafael Brignoni. O documento pede que a Prefeitura adote providências para reduzir os impactos causados pelas atividades do depósito e avalie, tecnicamente, a possibilidade de transferir a estrutura para outro local.
A cobrança gira em torno de uma pergunta que incomoda quem mora perto do espaço: até quando famílias precisarão conviver com os efeitos de uma operação pública instalada dentro de uma área residencial em crescimento?

Segundo relatos encaminhados ao gabinete do vereador, a circulação frequente de caminhões e máquinas tem levantado grande quantidade de poeira, principalmente durante o período de seca. A situação, conforme os moradores, afeta casas, quintais, roupas estendidas e a rotina de quem vive nas proximidades.
O problema, porém, vai além da sujeira.
A poeira constante também preocupa famílias com crianças, idosos e pessoas que enfrentam alergias ou dificuldades respiratórias. Moradores afirmam que o desconforto se tornou recorrente e que a movimentação de veículos pesados vem alterando a tranquilidade de uma região que segue recebendo novos moradores.
“Não se trata apenas de um incômodo. É uma questão de qualidade de vida”, defendeu Rafael Brignoni ao justificar a indicação.
O depósito é utilizado para apoiar serviços operacionais do município, com armazenamento e circulação de equipamentos, materiais e maquinários. Mas, na avaliação apresentada pelo vereador, a atividade precisa ser organizada de forma que não transfira para os moradores o peso de uma operação que é da própria administração pública.
A indicação solicita medidas imediatas, como a aplicação periódica de água nas vias para conter a poeira, melhorias nos acessos utilizados pelos veículos e fiscalização sobre a velocidade de caminhões e máquinas que transitam no entorno.
A preocupação com a velocidade é outro ponto levantado pelos moradores. Em bairros residenciais, o fluxo de veículos grandes exige atenção redobrada, especialmente em ruas onde há circulação de crianças, ciclistas, pedestres e famílias.

A falta de controle, segundo a proposta apresentada à Prefeitura, pode aumentar o risco de acidentes e criar um cenário de insegurança para quem utiliza as vias todos os dias.
Além das medidas emergenciais, Rafael Brignoni pediu que o Executivo faça um estudo técnico para analisar a transferência do depósito municipal para uma área mais adequada.
A eventual mudança precisaria considerar logística, mobilidade urbana, segurança e os impactos sobre a vizinhança. A discussão não é sobre interromper os serviços públicos, mas definir se o local atual ainda é compatível com o crescimento do Jardim Itália.
Enquanto esse estudo não sai do papel, a cobrança é para que providências práticas sejam tomadas. Para os moradores, molhar ruas de forma pontual ou agir apenas quando a reclamação ganha repercussão não resolve um problema que, segundo eles, faz parte da rotina.
O Jardim Itália é um dos bairros que acompanham a expansão de Nova Mutum. Com mais moradias e famílias chegando, cresce também a necessidade de planejamento urbano para evitar que estruturas operacionais se tornem motivo de transtorno dentro de áreas residenciais.
A indicação agora segue para análise do Poder Executivo. A expectativa é que a Prefeitura apresente uma resposta e informe quais medidas poderão ser adotadas para reduzir os impactos denunciados pela comunidade.
O que os moradores querem, segundo a cobrança levada à Câmara, é simples: respeito, segurança e o direito de viver sem poeira, barulho e trânsito pesado batendo à porta todos os dias.













