O agronegócio de Mato Grosso ganhará um novo reforço na cadeia do etanol de milho. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, aprovou uma operação de R$ 500 milhões para financiar a construção de uma nova planta industrial da FS em Campo Novo do Parecis.
O empreendimento terá investimento total estimado em R$ 2,07 bilhões, segundo informações divulgadas pelo banco. O valor aprovado pelo BNDES representa 24,2% do custo total do projeto. A nova unidade terá capacidade para processar até 1,2 milhão de toneladas de milho por ano e produzir até 540 milhões de litros de etanol anualmente.

Nova fábrica fortalece cadeia do milho em Mato Grosso
A implantação da planta reforça o avanço de Mato Grosso como um dos principais polos nacionais de produção de biocombustíveis a partir do milho. O estado já se destaca pela força do agronegócio e pela grande produção do cereal, especialmente na segunda safra.
De acordo com o BNDES, a localização da nova unidade é considerada estratégica por estar em uma das regiões de maior crescimento na produção mundial de milho de segunda safra. Dados citados pelo banco apontam que Mato Grosso respondeu por 38,6% da produção nacional de milho no ano agrícola 2022/2023.
Além do etanol, a planta deverá produzir aproximadamente 390 mil toneladas por ano de DDG, coproduto utilizado na alimentação animal. Esse tipo de farelo tem importância direta para cadeias como bovinocultura, suinocultura, avicultura e piscicultura, setores que também movimentam a economia mato-grossense.
Empregos durante a construção e operação
A nova fábrica também deve ter impacto na geração de empregos. Durante a fase de implantação, a previsão é de abertura de cerca de 3 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Após a conclusão da planta, a estimativa é de 182 empregos diretos e 323 indiretos, conforme divulgado pelo BNDES.
Na prática, o investimento movimenta não apenas a indústria, mas também áreas como construção civil, transporte, manutenção, logística, serviços especializados e fornecedores locais. Para Mato Grosso, a ampliação da industrialização do milho representa uma forma de agregar valor à produção agrícola dentro do próprio estado.
FS já opera em Lucas, Sorriso e Primavera
A FS já possui três unidades industriais em Mato Grosso, localizadas em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste. A empresa foi fundada em 2014, com sede em Lucas do Rio Verde, e é considerada pioneira na produção de etanol 100% a partir do milho no Brasil.
Segundo a própria companhia, suas operações envolvem a produção de etanol, produtos para nutrição animal e energia elétrica. Atualmente, a FS informa capacidade produtiva anual de 2,6 bilhões de litros de etanol e processamento de 5,9 milhões de toneladas de milho por ano.
Com a nova unidade em Campo Novo do Parecis, a empresa passará a ampliar ainda mais sua presença industrial em Mato Grosso, consolidando o estado como base estratégica para o setor.
Projeto prevê segunda fase de expansão
O projeto também prevê uma segunda etapa de crescimento. Conforme o BNDES, a expansão poderá dobrar a capacidade de processamento da unidade, chegando a 2,4 milhões de toneladas de milho por ano. Com isso, a produção anual de etanol poderia alcançar 1,08 bilhão de litros.
A operação aprovada envolve recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem, voltada à produção de alimentos e biocombustíveis. O banco afirma que o financiamento contribui para a descarbonização da economia e para o fortalecimento da indústria nacional.
Impacto para Nova Mutum e região
Embora a nova planta seja instalada em Campo Novo do Parecis, o avanço da indústria de etanol de milho em Mato Grosso tem reflexos em todo o setor produtivo regional. Municípios como Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e demais cidades do Médio-Norte estão inseridos em uma das regiões mais importantes do agronegócio brasileiro.
A industrialização do milho pode ampliar a demanda pelo grão, fortalecer a logística regional, gerar novas oportunidades para transportadores e prestadores de serviço e impulsionar cadeias ligadas à produção de proteína animal.
Para produtores rurais, cooperativas e empresas do agro, o crescimento das usinas representa uma alternativa de mercado para o milho produzido no estado. Já para a economia regional, o movimento reforça a tendência de transformar Mato Grosso não apenas em grande produtor de grãos, mas também em referência nacional na industrialização de biocombustíveis.












