Mato Grosso aparece entre os estados brasileiros com maior número de barragens que precisam de atenção prioritária em segurança. O alerta consta no Relatório de Segurança de Barragens 2026, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Segundo o levantamento, 85 estruturas em Mato Grosso foram indicadas por órgãos fiscalizadores como prioritárias para ações de gestão da segurança. Em todo o país, a ANA identificou 213 barragens que exigem maior acompanhamento, distribuídas por 19 estados e pelo Distrito Federal.
O relatório não significa, necessariamente, que todas essas estruturas estejam prestes a romper. A classificação indica que há problemas de conservação, falhas no cumprimento de exigências legais ou necessidade de monitoramento mais rigoroso pelos responsáveis.
O que preocupa
As barragens classificadas como prioritárias podem representar risco em caso de acidente, principalmente quando estão próximas de pessoas, estradas, pontes, áreas produtivas ou estruturas essenciais.
De acordo com a ANA, as barragens incluídas nessa lista são aquelas que apresentam problemas de conservação ou em que os empreendedores não cumpriram todos os requisitos exigidos pela Política Nacional de Segurança de Barragens.
Em Mato Grosso, o relatório também registrou um acidente em uma barragem de rejeitos minerais em Nossa Senhora do Livramento e um incidente na Usina Hidrelétrica de Colíder, no norte do estado, em 2025.

Barragens com risco alto
Outro dado que chama atenção é que 10 barragens em Mato Grosso apresentam Categoria de Risco alta ou evidência de comprometimento da estrutura. Outras 84 estão classificadas com Dano Potencial Associado alto ou médio.
A Categoria de Risco leva em conta fatores como características técnicas da barragem, estado de conservação e cumprimento do Plano de Segurança da Barragem. Já o Dano Potencial Associado avalia os possíveis impactos em caso de rompimento, como risco à vida, prejuízos ambientais, sociais e econômicos.
Entre as estruturas com Categoria de Risco alta, a maioria está ligada à contenção de rejeitos de mineração. Sete delas ficam em Nossa Senhora do Livramento, duas em Poconé e uma corresponde à Usina Hidrelétrica de Colíder.
Fiscalização e informações incompletas
O Relatório de Segurança de Barragens também aponta desafios na fiscalização. Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente aparece como responsável por 658 barragens cadastradas. Desse total, 48 ainda não haviam sido verificadas quanto ao enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens.
No cenário nacional, o país possui 29.761 barragens cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens. Porém, 14.355 estruturas, o equivalente a 48%, ainda têm enquadramento indefinido, o que dificulta a fiscalização e o planejamento de ações preventivas.
A ANA também informou que houve redução no número de profissionais dedicados ao tema. O total caiu de 356 para 333 fiscais entre 2024 e 2025, uma queda de 6%. Ao mesmo tempo, a agência aponta déficit de pelo menos 221 profissionais exclusivos para atuação em segurança de barragens nos órgãos fiscalizadores.
Prevenção precisa ser prioridade
O tema ganha importância em Mato Grosso por envolver diferentes tipos de estruturas, como barragens de mineração, hidrelétricas, irrigação, abastecimento humano, uso industrial e dessedentação animal.
Para a população, o principal ponto é a transparência. Moradores de áreas próximas a barragens precisam ter acesso a informações claras sobre segurança, planos de emergência e canais de comunicação em caso de risco.
O relatório reforça que a prevenção deve ser prioridade. A manutenção regular, a fiscalização eficiente e o cumprimento das normas são medidas essenciais para evitar acidentes e proteger vidas, o meio ambiente e a infraestrutura de Mato Grosso.











