Jair Bolsonaro é eleito presidente e interrompe série de vitórias do PT

G1 - 28/10/2018 20h43 - Atualizado em 28/10/2018 20h43

Jair Messias Bolsonaro, do PSL, foi eleito o 38º presidente da República neste domingo (28) ao derrotar em segundo turno o petista Fernando Haddad, interrompendo um ciclo de vitórias do PT que vinha desde 2002.

A vitória foi confirmada às 19h18, quando, com 94,44% das seções apuradas, Bolsonaro alcançou 55.205.640 votos (55,54% dos válidos) e não podia mais ser ultrapassado por Haddad, que naquele momento somava 44.193.523 (44,46%). Com 100% das seções apuradas, Bolsonaro recebeu 57.797.073 votos (55,13%) e Haddad, 47.039.291 (44,87%).

No discurso da vitória, Bolsonaro afirmou que o novo governo será um "defensor da Constituição, da democracia e da liberdade".

Aos 63 anos, capitão reformado do Exército, deputado federal desde 1991 e dono de uma extensa lista de declarações polêmicas, Jair Bolsonaro materializou em votos o apoio que cultivou e ampliou a partir das redes sociais e em viagens pelo Brasil para obter o mandato de presidente de 2019 a 2022.

Na campanha, por meio das redes sociais e do aplicativo de mensagens WhatsApp, apostou em um discurso conservador nos costumes, de aceno liberal na economia, de linha dura no combate à corrupção e à violência urbana e opositor do PT e da esquerda.

Com isso, se tornou um fenômeno eleitoral ao vencer a corrida presidencial filiado a uma legenda sem alianças formais com grandes partidos, com pouco tempo na propaganda eleitoral de rádio e TV e distante das ruas na maior parte da campanha, em razão do atentado no qual sofreu uma facada que o perfurou no abdômen.

Após quatro vitórias consecutivas do PT em eleições presidenciais (2002, 2006, 2010 e 2014), o novo presidente eleito se apresenta como um político de direita.

Vitorioso na primeira vez em que se candidatou a presidente, Bolsonaro sucederá Michel Temer (MDB), vice de Dilma Rousseff (PT) que assumiu o governo em 2016 devido ao impeachment da petista.

Atentado contra Bolsonaro

Em uma campanha marcada por ânimos exaltados nas redes sociais e nas ruas, Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado no qual levou uma facada, em 6 de setembro, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). O candidato do PSL teve o abdômen perfurado, passou por cirurgias e ficou 23 dias internado.

Em razão do atentado, o deputado concentrou a campanha nas redes sociais por meio de mensagens de texto e vídeos – após o primeiro turno, por exemplo, a campanha marcou uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro, mas o candidato optou por um discurso transmitido ao vivo pelo Facebook.

Bolsonaro recebeu 49,2 milhões de votos no primeiro turno, contra 31,3 milhões de Haddad.

O resultado do primeiro turno ainda encerrou a polarização entre PT e PSDB das últimas seis eleições – o PSDB venceu em 1994 e 1998, e o PT em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Segundo turno

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad repetiram ao longo do segundo turno declarações nas quais alertaram que a vitória do rival traria riscos ao Brasil. Haddad apontou possível retrocesso na democracia e reproduziu elogios de Bolsonaro à tortura. O candidato do PSL, em tom de combate ao comunismo, criticou o apoio do PT aos governos de Cuba e Venezuela.

Na busca de aliados no segundo turno, partidos mais à esquerda fecharam apoio, mesmo que "crítico" em alguns casos, a Haddad. Apesar de muitos partidos anunciarem neutralidade, políticos tradicionais e candidatos a governador abriram o voto no favorito Bolsonaro, interessados em colar suas imagens à do candidato, que recebeu o apoio de bancadas temáticas do Congresso, entre as quais, a ruralista.

Ao longo do segundo turno, Bolsonaro permaneceu no Rio, onde mora com a família. Apesar dos desafios de Haddad e de ter sido liberado pelos médicos, o deputado decidiu não participar de debates. A votação no primeiro turno e a liderança nas pesquisas reforçaram a estratégia de evitar confrontos.

Na campanha de segundo turno, se acentou o debate sobre o fluxo de mensagens com conteúdo falso, as chamadas "fake news". Circularam nas redes sociais e em aplicativos de trocas de mensagens conteúdo com informações incorretas sobre diversos assuntos, entre os quais, supostas fraudes nas urnas eletrônicas, desmentidas pelo TSE.

O uso do WhatsApp nas campanhas foi parar na Justiça Eleitoral, após reportagem da "Folha de S.Paulo" relatar casos de empresas apoiadoras de Bolsonaro que teriam comprado pacotes de "disparo em massa" de mensagens contra o PT. O candidato do PSL negou as irregularidades.