Doria derrota França e mantém hegemonia do PSDB em São Paulo

G1 SP - 29/10/2018 07h34 - Atualizado em 29/10/2018 07h34

O empresário e ex-prefeito da capital paulista João Doria (PSDB) foi eleito neste domingo (28) governador de São Paulo no segundo turno.

O resultado só foi confirmado com 98,49% das urnas apuradas às 19h34. O tucano obteve 10 milhões de votos, o que corresponde a 51,77% dos votos, contra 48,23% de Márcio França (PSB) e 17% de nulos e brancos. Houve 21% abstenções.

A vitória do tucano é a sétima do PSDB, que está no comando do estado há 24 anos. Mario Covas foi o primeiro tucano a governar o estado. Ele interrompeu a gestão do à época PMDB, hoje MDB, que se manteve no Palácio dos Bandeirantes de 1983 a 1995.

O candidato tucano venceu na maior parte das cidades do interior do estado e França, na capital paulista.

Doria foi eleito após uma campanha marcada por acusações de seus adversários de que ele deixou a prefeitura da capital paulista antes de terminar o mandato. Doria saiu da prefeitura em abril, depois de 15 meses, para poder disputar a eleição para governador.

Aos, 60 anos, foi a primeira vez que o tucano disputou o cargo. Doria foi afilhado político do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e foi eleito no primeiro turno em 2016 para a Prefeitura de São Paulo.

Os dois tucanos tiveram um mal estar depois de Doria anunciar apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) antes do primeiro turno das eleições.

No segundo turno, Doria chegou a ir até o Rio de Janeiro para tentar se encontrar com Bolsonaro, mas não foi recebido pelo candidato à presidência. Bolsonaro afirmou, após a tentativa de encontro, que Doria é oposição ao PT e que lhe desejava boa sorte.

Alckmin chegou a dizer que Doria o teria traído durante uma convenção nacional do partido em Brasília. Antes de o partido definir o nome que disputaria a presidência, Doria declarou que deveria ser o escolhido, passando por cima do ex-governador.

Prefeitos tucanos de cidades paulistas chegaram a declarar apoio ao candidato Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo. Questionado sobre a atitude dos prefeitos, Doria afirmou: "Eu não vejo racha, eu vejo depuração. As esquerdas se unem, as esquerdas se aglutinam e se aglutinam em torno do Márcio França. E é bom que façam isso, porque temos um campo mais claro, de esquerda".

O diretório municipal do PSDB em São Paulo expulsou Alberto Goldman, ex-governador, que declarou voto em Fernando Haddad (PT) para a presidência, e o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e mais 15 filiados por infidelidade partidária. Eles recorreram às instâncias superiores do partido.

Promessa de cumprir mandato

Em 2016, durante a campanha para assumir a chefia do Executivo municipal, Doria garantiu, em entrevista ao G1, no dia 21 de setembro de 2016, que se fosse eleito, cumpriria "todo o mandato". "Serei prefeito por quatro anos e sem reeleição", disse Doria à época.

Durante seu mandato ficou conhecido por vestir uniformes de funcionários, como de gari e pintor, por exemplo, durante a execução do Programa Cidade Linda.

Paulistano, Doria nasceu em 16 de dezembro de 1957, filho do publicitário e ex-deputado federal João Doria e de Maria Sylvia Vieira de Morais Dias Doria.

Logo após o golpe militar em 1964, seu pai, publicitário e marqueteiro político, que se elegera deputado federal teve o mandato cassado, o que fez com que a família se exilasse em Paris por 2 anos.

De volta ao Brasil, a mãe de Doria instalou uma fábrica de fraldas em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo e Doria foi estudar na Escola Estadual Professora Marina Cintra, na rua da Consolação.

Durante a campanha, em 2 de setembro, o então candidato visitou a escola. Doria foi recebido pela diretora e visitou a parte administrativa, conversou com alunos em uma sala de aula e tirou fotos com outros que estavam no horário do intervalo.

Em 1970, aos 13 anos, Doria começou a ajudar sua mãe na fábrica. Mais tarde, por meio das relações do pai, conseguiu um estágio em um departamento de Rádio, TV e Cinema de uma agência de propaganda.

Doria fez faculdade de Comunicação Social na FAAP e logo assumiu uma diretoria na antiga TV Tupi. Depois, tornou-se diretor na Rede Bandeirantes e ficou à frente da MPM, maior agência de propaganda do país na década de 80.

Hoje, Doria é casado com a artista plástica Bia Doria e tem três filhos. Ele tem dois livros lançados: "Sucesso com Estilo" e "Lições para Vencer".

Sua grande marca está no Grupo Doria, grupo de Comunicação e Marketing composto por seis empresas: DoriaAdministração de Bens, Doria Editora, Doria Eventos, Doria Internacional, Doria Marketing & Imagem e LIDE (Grupo de Líderes Empresariais).

Foi no LIDE, que atualmente possui 1.650 empresas filiadas e que representam 52% do PIB privado brasileiro, que Doria se consolidou líder empresarial e articulador entre os empresários.

Também atuou como Publisher da Doria Editora que publica 18 revistas segmentadas voltadas para empresários e o público de classe A, entre elas: LIDE, Caviar LifeStyle, Gabriel, Meeting & Negócios, Mulheres líderes e Oscar.

Doria foi secretário Municipal de Turismo, além de presidente da PAULISTUR entre 1983 e 1986, na gestão de Mário Covas na Prefeitura de São Paulo. Posteriormente, presidiu a Embratur e o Conselho Nacional de Turismo, de 1986 a 1988.

Processos

Doria é réu em três ações cíveis por improbidade, propostas pelo Ministério Público, por violação aos princípios constitucionais da administração pública e por enriquecimento ilícito.

Em uma das ações, o ex-prefeito de São Paulo é investigado por usar o slogan da sua campanha em 2016 em ações e projetos da Prefeitura, em benefício próprio e para proveito pessoal durante a gestão, entendeu o promotor Nelson Sampaio, que ingressou com o processo na 6ª Vara da Fazenda Pública.

A defesa de Doria ingressou com pedido de agravo de instrumento de decisões interlocutórias do magistrado que ainda não foram julgadas. O MP foi citado para se manifestar e a última movimentação é de 6 de setembro, com petições anexadas na 1ª Instância. O caso ainda não foi julgado.

Em outra ação, Doria foi condenado, em 24 de agosto, por improbidade e com suspensão dos direitos políticos por 4 anos pela juíza Carolina Martins Cardoso, titular da 11ª Vara da Fazenda Pública, por usar o slogan da Prefeitura em ações pessoais.

A Justiça aceitou o pedido do MP de que o uso da marca configurava "promoção pessoal do administrador público". A assessoria de Doria disse à época que iria recorrer da decisão.

Polêmicas na Prefeitura

Os 15 meses da gestão de Doria na Prefeitura de São Paulo foram marcados por polêmicas como a megaoperação que prometeu acabar com Cracolândia da região da Luz, área central de São Paulo, e a promessa de distribuição da farinata, espécie de granulado feito a partir de alimentos próximos do vencimento anunciado para ser entregue nas escolas municipais da capital.

Após a operação contra o tráfico de drogas em maio do ano passado na região da Luz, Doria chegou a afirmar que a Cracolândia havia acabado. "A Cracolândia aqui acabou, não vai voltar mais. Nem a Prefeitura permitirá nem o governo do Estado. Essa área será liberada de qualquer circunstância como essa. A partir de hoje, isso é passado", disse.

Os usuários de drogas que circulam pela área chegaram a mudar de local, mas voltaram para as ruas onde costumavam circular e o consumo e o tráfico de drogas permanece.

Em relação à farinata, Doria chegou a defender o produto como sendo "um alimento completo". "O quie seria jogado fora de alimentos, vegetais, frutas, cereais... são totalmente reaproveitados, com segurança alimentar. Uma chícara dessa de alimento é suficiente para uma criança por um dia", afirmou à época. Após as críticas feitas ao produto, a Prefeitura voltou atrás e desistiu de incluí-lo na merenda escolar.