Com discurso conciliador e por ‘mudança’, Maia lança nome à Presidência

Naomi Matsui - Poder 360 - 08/03/2018 14h03 - Atualizado em 08/03/2018 14h03

Rodrigo Maia se apresenta com via alternativa. (Foto: Reprodução) Rodrigo Maia se apresenta com via alternativa. (Foto: Reprodução)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, adotou discurso conciliador e a favor da "nova política", "renovação" e "mudança". Admitiu, no entanto, que muitos consideram sua vitória "impossível".

"Há alguns que julgam tarefa impossível construir uma candidatura competitiva para mudar o Brasil. Mas vocês aqui presentes, democratas, me oferecem o desafio de liderar a nossa geração num projeto de renovação política e de reconstrução do Brasil", disse referindo-se à plateia.

Ele formalizou sua pré-candidatura à Presidência nesta 5ª feira (8.mar.2018) durante Convenção Nacional do DEM. O evento foi realizado em auditório da Câmara, em Brasília, e também nomeou a nova Executiva do partido. O prefeito de Salvador, ACM Neto, foi empossado presidente da sigla, no lugar do senador Agripino Maia (RN).

Segundo o deputado, ele tentará ser 1 candidato de alianças, tanto entre os partidos, como outros setores da sociedade.

"Não [quero ser] só o candidato do Democratas. Vamos construir alianças para ser, também, candidato de muitos dos partidos aliados que nos honram com seu apoio. Quero ser o candidato dos que compreendem a necessidade da renovação política. Um candidato que saberá ouvir a todos, dialogar com todas as correntes de pensamento", afirmou.

Pouco depois, ACM Neto disse que, por enquanto, a candidatura de Maia não deve ser considerada "nem de governo nem de oposição".

Logo ao chegar, o presidente da Câmara disse que acabará com burocracias e aumentará a poupança e investimentos em infraestrutura. Sentou-se ao lado da mulher, Patrícia Vasconcelos Maia.

No fim, em discurso de 20 minutos, o deputado procurou usar 1 tom de voz convicto e citou várias vezes as palavras "coragem", "desafio". De acordo com ele, só as urnas poderão "inaugurar 1 novo tempo".

SEM TEMER

Em nenhum momento, o deputado citou o presidente Michel Temer, a quem se considera aliado, apesar de frequentes atritos com integrantes do governo.

Também não fez menções diretas a outros candidatos. Afirmou, porém, a intenção de fazer uma campanha sem "populismos irresponsáveis", "radicalismos", "teses fáceis", "demagogias" e "antagonismo atrasado" entre campos da direita e esquerda. Com isso, o demista procura se colocar com uma alternativa a candidaturas como a de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

Citou ainda projetos aprovados durante o período em presidiu a Câmara, como as reformas trabalhista e do Ensino Médio e defendeu bandeiras como a desburocratização do Estado, redução de impostos e melhorias na Educação, Segurança e Saúde.

Também estavam presentes na Convenção presidentes de partidos como MDB, PP, PRB, Avante, Solidariedade, PSC e PHS. Nem todas essas siglas devem apoiar a candidatura de Maia.

Nesta 4ª, a Câmara já havia sido palco da cerimônia de filiação do deputado Jair Bolsonaro (RJ) ao PSL (Partido Social Liberal). O ex-capitão do Exército deve ser o pré-candidato do partido à Presidência.

AFAGOS A MAIA

Os discursos foram marcados pela defesa de emprego, do desenvolvimento e recuperação econômica. Demistas exaltaram a "consolidação" e crescimento da sigla.

Rodrigo Maia foi definido como "jovem", "articulador" e "capaz de trazer a renovação" para política.

"A única pessoa que pode unir esses partidos é o Rodrigo Maia. É o homem que vai conduzir o Brasil para o emprego e desenvolvimento", falou o presidente do Solidariedade e da Forca Sindical, Paulinho da Força.

Ciro Nogueira definiu o pré-candidato como alguém "quieto", mas de compromisso e com capacidade de aglutinaçã0. O presidente do MDB e líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), afirmou que uma candidatura de Maia seria uma "contribuição importante para os debates" no pleito deste ano. O MDB de Jucá tem pretensão de lançar 1 candidato próprio, mas especula-se a hipótese de o governo apoiar o nome de Maia.

Já o secretário-geral do PSDB, Marcus Pestana, representante dos tucanos na Convenção, defendeu a união de partidos de centro e centro-direita. "Democratas e o centro-democrático e reformista estarão unidos para que o Brasil não caia nas mãos de políticas irresponsáveis", disse.

Maia está no seu 5º mandato na Câmara dos Deputados. Foi líder da bancada do DEM na Câmara por 2 anos. Em julho de 2016, foi eleito presidente da Câmara, sucedendo o então presidente Eduardo Cunha (MDB). Em fevereiro de 2017, foi reeleito no comando da Casa.

Nas pesquisas de intenção de voto, Maia pontua no máximo 1 dígito. Segundo a última pesquisa da Datafolha, lançada em janeiro de 2018, sua taxa de rejeição era de 21%.