Perícia da PF detecta divergência em assinatura de ata de convenção

Mídia News - 05/03/2018 22h49 - Atualizado em 05/03/2018 22h49

O senador José Medeiros, que assumiu vaga de Taques no Senado. O senador José Medeiros, que assumiu vaga de Taques no Senado.

Um exame grafotécnico realizado pela Polícia Federal (PF) reforça a acusação de que houve fraude na ata da convenção que definiu a chapa que elegeu Pedro Taques (PSDB) ao Senado, em 2010, tendo José Medeiros e Paulo Fiuza, como primeiro e segundo suplentes, respectivamente.

O resultado do exame pericial detectou divergência entre a assinatura de Fiúza coletada pela PF e aquela que consta na ata.

Conforme o laudo pericial, a assinatura de todos aqueles que aparecem na "Ata de Deliberação da Coligação Mato Grosso Melhor Pra Você – composta pelos partidos PSB, PPS, PDT e PV" – foram submetidas a um exame grafoscópico.

A colheita dos materiais gráficos foi realizada no período de outubro a novembro do ano passado, na Superintendência Regional da PF em Mato Grosso.

"As assinaturas questionadas foram comparadas com os respectivos padrões levando-se em consideração os nomes sobre as quais foram apostas. Foram estudados os ataques, os remates, as gêneses, os dinamismos e os calibres, além de outros fatores objetivamente constatados nos lançamentos em tela, como momentos de parada e retoques", cita o laudo.

"Em relação as assinaturas apostas nas fls. 245 e 246, foram observados, nos parâmetros estudados, predomínio do convergências nos lançamentos questionados comparados aos padrões de: José Marques Braga, Francisco Wagner Simplicio, José Carlos Dorte, Otaviano Olavo Pivetta, Aluízio Leite Paredes, José Roberto Stopa, Solange Vani Vieira, Jair Mariano, Roberto Campos Correa Júnior, Miguel José Ourives Neto, Roberto Márcio Guia dos Santos, Rodrigo Sergio Garcia Rodrigues e Edson Luiz Ribeiro da Silva", diz trecho do documento.

"Por outro lado, foram observados predomínio de divergências no lançamento questionado comparado aos padrões de Paulo Pereira Fiúza Filho", conclui.

Além das desconformidades na assinatura de Fiúza, os peritos ainda encontraram divergências nas rubricas de seis signatários: José Marques Braga, Francisco Wagner Lopes Simplício, José Carlos Dorte, Otaviano Pivetta, Aluízio Leite Paredes e José Roberto Stopa.

O laudo é assinado pelos peritos José Roberto Riston e André Neves Campos.

Possível Cassação

O laudo já foi inclusive anexado ao processo que trata da suposta fraude, pelo juiz eleitoral Ulisses Rabaneda, que é relator do caso.

A ação pode fazer com que o senador José Medeiros perca seu mandato.

O imbróglio ocorre já que, segundo a ação que corre no TRE, a ata original trazia Pedro Taques como cabeça de chapa, tendo Zeca Viana e Fiúza como primeiro e segundo suplentes, respectivamente.

Em agosto de 2010, contudo, Zeca desistiu da suplência para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Com a desistência, Fiúza teria passado para a 1ª suplência e o então policial rodoviário federal José Medeiros ficaria com a segunda.

No entanto, há a suspeita de que a ata tenha sido fraudada, "passando" Medeiros para frente de Fiúza.

A chapa foi vitoriosa, mas Taques decidiu sair candidato ao Governo, em 2014. Com sua vitória, Medeiros assumiu a cadeira no Senado Federal.