Agronegócio impulsiona crescimento do PIB e Mato Grosso deve liderar índice nacional com 5,1%

Redação Agroolhar - 13/09/2017 11h42 - Atualizado em 13/09/2017 11h42

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Recebido com otimismo, o crescimento da economia pelo segundo trimestre consecutivo aponta para a retomada do Produto Interno Bruto (PIB) em pelo menos 20, dos 27 estados brasileiros neste ano. O aumento deverá ser mais intenso no Centro-Oeste e no Sul, graças ao agronegócio, de acordo com o "Mapa da Recuperação Econômica", divulgado pelo banco Santander. Assim, alavancado pela super-safra de grãos, Mato Grosso deverá crescer 5,1%.

O número garante a liderança do Estado no setor, correspondendo a 26% da produção nacional, ou seja, 61,9 milhões de toneladas das 238,7 milhões colhidas. O total também impulsionará o PIB do Maranhão, Mato Grosso do Sul e Goiás que devem fechar 2017 com saldo positivo de 3,1%, 2,4% e 2,2%, respectivamente.

O relatório, elaborado pelos economistas Everton Gomes e Rodolfo Margato, busca antecipar o resultado dão PIB por unidades da federação, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com três anos de defasagem das Contas Nacionais. O documento aponta ainda que a média de crescimento nacional será de 0,5% e que apenas sete estados encerrarão o ano com retração. A maior queda prevista pelo Santander pertence ao Rio de Janeiro com -1,4% e a Alagoas de 1%.

Em publicação da Valor Econômico, Margato explica que o desempenho favorável do campo vai contribuir para a economia dessas unidades da federação de modo direto, via crescimento do PIB agropecuário, e também indireto, por meio do avanço das agroindústrias e das atividades de serviços. Na média nacional, o banco prevê que o PIB agropecuário vai crescer 8,5% este ano, acima do desempenho previsto para a indústria (+0,6%) e para os serviços (-0,1%).

"A renda agrícola está exercendo efeitos indiretos importantes sobre as agroindústrias, o mercado de trabalho e o setor de serviços, potencializando os estímulos às economias dessas regiões", acrescenta o economista, que baseou suas projeções numa série de pesquisas conjunturais divulgadas mensalmente pelo próprio IBGE, além de dados do mercado de trabalho formal medido pelo Ministério do Trabalho.

Na contramão dessa retomada estão os Estados com pouco peso do agronegócio em suas economias e com setores industriais que vêm exibindo baixo dinamismo. O caso mais grave é o do Rio de Janeiro. O PIB fluminense deverá encolher 1,4% este ano, reflexo de um tombo de 2,3% dos serviços. Este setor, movido por fatores como renda e emprego, representa dois terços da economia do Estado do Rio.

Além do fim das obras relacionadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas, o Rio vive uma profunda crise fiscal, com reflexos sobre os salários de servidores públicos e corte nos investimentos. "Enquanto no Rio a massa salarial caiu 1,3% em junho, na comparação ao mesmo mês de 2016, no Mato Grosso do Sul ela cresceu quase 12%. Isso ajuda a entender o PIB de serviços tão ruim do Rio", diz Margato.

No relatório, os economistas preveem que o PIB de nove estados brasileiros terão desempenho abaixo da média nacional. Desses, cinco são da região Nordeste: Alagoas (-1%), Pernambuco (-0,6%), Bahia (-0,3%), Paraíba (0,1%) e Sergipe (0,1%). Outros dois estão localizados na região Norte: Acre (-0,3%) e Pará (-0,2%). Além do Rio de Janeiro, completa a lista o Distrito Federal, com queda do PIB prevista em 0,2%.

Os fundamentos macroeconômicos vêm exibindo dinâmica mais benigna este ano, com destaque para desaceleração da inflação, cortes agressivos dos juros, redução do risco-país, tendência de alta de indicadores de confiança e estabilização do mercado de trabalho. Para o banco, isso contribuirá para reduzir a diferença de ritmo de recuperação entre as regiões no futuro.

"Com a recuperação do consumo doméstico difundido entre as regiões, as diferenças vão se reduzir. É provável, porém, que Estados do Norte e Nordeste continuem abaixo da média, efeito da maior dependência de investimentos públicos, cuja recuperação deverá ser bastante lenta, em linha com o desafio fiscal do governo de equilibrar suas contas altamente deficitárias", avaliaram os economistas.